Manelão Competições


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Reportagem

Reportagem

Manelão saiu na reportagem na revista Auto Esporte em Agosto de 1991 na edição 315 Matéria feita pôr Marcus Zamponi ,com o seguinte titulo:

¨Neguinho quer é mordomia...¨

A reportagem foi assim: Quando o primogênito da família Jesus veio ao mundo naquela fria madrugada européia, a velha parteira quase entrou em desespero. Calejada pôr centenas de trabalhos semelhantes, ela: jamais vira tal coisa. Olhos esbugalhados e um choro estridente,o estranho rebento tinha o corpo muito miúdo e uma cabeça, digamos, razoáveis dimensões.Talvez, até mesmo maior que o próprio tronco. A notícia espalhou-se depressa e , entre o susto da parteira e a resignação da família, a pequena aldeia de Cucujães, ao sul da cidade do Porto,entrou em total frenesi. Afinal, Steven Spielberg ainda não havia nascido e o Portugal pré-moderno já tinha sua versão lusitana do ET.Ano e meio depois, o cargueiro atracava no porto de Santos e o pequenino já não causava mais surpresa . O corpo crescera mais do que a cabeça e Manoel de Jesus Ferreira já ostentava, sabe-se La porque, o apelido de Manelão, isto mesmo, no aumentativo...¨Minha¨ família sempre foi mesmo muito estranha -registra Manelão.Aos 96 anos , meu avô subia em árvores e andava de moto. Eu, antes de ter dentes, já adorava comer pão com casca e tudo. Pelo menos, é o que contam. Estopim curto, mas ao mesmo tempo tremendamente afável, Manelão cresceu e Harmonizou sua silhueta, quem diria , integrado e ajudando a escrever os melhores capítulos do automobilismo brasileiro.Hoje, ainda jovem e com tremenda disposição aos 40 anos, ele é o melhor mecânico brasileiro especializado em chassis, e tem quilômetros de História para contar.¨Aos¨ 12 anos eu já tinha mais de um metro e oitenta. Meu pai era DURO, trabalhava em obras de rua e cismou que eu seria serralheiro. Durou uma semana e, sempre debaixo de ameaça de perder os dedos decidi que seria mecânico.Empolgado, consegui emprego numa concessionária vw mas , ao invés de ferramentas, me deram mesmo peças para lavar e a responsabilidade de cuidar do cachorro do dono. Velho-28anosdesdentado e cego, o bicho era um perrengue. Era cocô e xixi o tempo todo. Aí, não deu outra. Na surdina , dei sumiço no bicho confessa sem um pingo de remorso.Ainda na concessionária, Manelão foi finalmente apresentado à mecânica propriamente dita. Dois anos de trabalho pesado mais tarde, e aos quinze anos de idade, ele entrava de cabeça no automobilismo, via Dacon, Trabalhando pasmem no Karmann Ghia Porsche do saudoso Moco: este acelerava. Carro bom ou ruim, não tinha refresco, era pé no fundo.Foi uma grande experiência, que trouxe o convite dos irmãos Fittipaldi para que trabalhasse na fábrica de volantes Fittipaldi Formula 1 e, também, como mecânico do VW bimotor, uma traquitana de fibra com dois motores VW acoplados somando 3.200 cilindradas cúbicas: Enquanto não quebrava andava junto com as Alfas e Lolas importadas, a fábrica rendia alguma grana, mas os dois eram muito garotos. Aquilo era uma arruaça.No final, um gerente ladrão tomou deles todo o dinheiro e até mesmo a própria fábrica . O fdp ainda anda pôr aí, nos autódromo, garante .Mas foi mesmo com Pedro Victor De Lamare que Manelão se destacou. Ele cuidava da escolinha de pilotagem e ainda trabalhava nos carros de Divisão 3, Fórmula Ford e Divisão 4 que PV pilotava : foi nessa época que optei pôr trabalhar em suspensões. Todo mundo só mexia em motor e os carros eram uma lástima, totalmente desequilibrados.Mais de 20 anos se passaram e Manelão, hoje,ainda é o maior otimista em relação ao futuro do automobilismo nacional:Tudo que tenho devo as pista. Ganho bem, tenho casa e oficina próprias além de alguns imóveis . Quem tem aptidão e vontade de trabalhar como mecânico, é só entrar de cabeça que ainda é possível ganhar um bom dinheiro. Falta gente especializada e principalmente com tutano. Os novos só querem mordomias. Bons hotéis , molezas generalizadas. Só querem mexer em F3 que é fácil de trabalhar, tudo em módulos. Tem mesmo é que trabalhar no ferro bruto, na graxa.É assim que se aprende ensina.E, para quem pede soluções para um automobilismo mais saudável, Manelão tem as suas, todas de curto prazo: Em termos nacionais, nosso automobilismo não vai bem.Mas, nos regionais, é um rebuliço só, gente nova a todo instante Então, era só manter os nacionais e regionais com regulamentos semelhantes que a passagem de um nível para outro seria quase automática. Não tenho porque temer o futuro.Hoje em dia, 80% do que ganho vem dos torneios regionais.É só colocar a vaidade de lado e partir para o trabalho, que os cartolas dão jeito no nosso esporte, completa MARCUS ZAMPONI.


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